Novamente eu estava por aí, bêbado, completamente bêbado.
Estava acompanhado de poucos amigos e estávamos nos dirigindo para outro bar, era de madrugada, mas não mais que 2 da manhã, CREIO EU, mas minhas crenças não tem muito valor; quando estou neste estado, e te afirmo, isso acontece QUASE SEMPRE, perco a noção de tempo, então muito provavelmente o horário que te afirmo esteja atrasado ou adiantado umas 3 horas, mas isso não importa, eu acho.
Continuando, estávamos saindo daquele bar, a música era boa ali, mas a linda cidade provinciana em que moro tem certos rituais, e eu não estou nem um pouco me importando com eles, mas os drogas que me acompanhavam os querem seguir, então não sei por que os acompanhei. Seguíamos de pé, o outro local era perto e praticamente todos que estavam no lugar de início estavam se dirigindo para o outro. MAS apenas nós, fomos por um caminho meio abandonado, e só J.C saberia explicar o porquê disso.
Eu estava um pouco afastado do grupo, me escorando nas paredes, fui deixado para trás, mas aquilo não me incomodava nem um pouco. Continuei ali, seguindo, forte, me escorando nas paredes. De repente vi uma coisa um pouco estranha, tinha um cara sem roupa, tendo todo o corpo completamente chupado por um outro cara, mais alto e bem mais forte vestido com uma capa preta, uma máscara branca e emanando uma luz vermelha ao redor de todo o seu corpo.
― QUE MERDA É ESSA? Gritei eu.
Eles não se incomodaram. Me olharam por alguns instantes, mas continuaram ali, firmes, fortes, se amando.
Aquilo não me incomodava, CREIA! Foi apenas um susto do início. Eu era heterossexual! Mas não via problemas nenhum em quem não aceitava essa idéia e também não via problema algum dum cara de capa, máscara e emanando luz vermelha por todo o seu corpo chupar um cara menor e completamente sem roupa no meio da rua.
― SÓ EU ESTAVA VENDO AQUILO, J.C?
Olhei para frente, para chamar qualquer um dos bostas que estavam comigo, mas não consegui enxergar nenhum deles. Ótimo.
Como já foi dito anteriormente, estávamos numa cidade provinciana, se fazendo de moderninha, mas com infinitos preconceitos encrustados, era terrível! E não sei porque me senti na obrigação de avisá-los, de protegê- los, mas o que eu, um bêbado, caminhando escorando pelas ruas poderia fazer?
Resolvi alerta- los apenas, era o mínimo e MÁXIMO que eu poderia fazer. Cheguei mais perto, eles não pararam.
― Ei, senhores.
E nada!
― Ei, senhores.
Finalmente eles olharam.
― Desculpa atrapalhar a diversão aí de vocês, mas acho que vocês não são daqui, e para um casal assim como vocês, é perigoso estar assim no meio da rua. Tomem cuidado, infelizmente não é seguro pra vocês estarem aqui, desse jeito. Sério, tomem cuidado!
― Você é homofóbico? O cara de capa preta bradou, numa voz que parecia vir diretamente das profundezas do inferno.
― Eu? Não, não! Tenho uma infinidade de defeitos, mas respeito esse lance, acho que todos tem liberdade para fazerem o que quiserem, principalmente sexualmente. Não tem sentido não gostar de foder uma boa buceta e ter que fazê-lo só porque a sociedade quer. Não tenho nada contra a opção sexual de vocês, caras. Só acho que é melhor tomar mais cuidado, pro bem de vocês.
A LUZ VERMELHA DO GRANDÃO COM VOZ ESCURA E PESADA NÃO PARAVA DE BRILHAR!
― Obrigada. Realmente obrigada pelo toque, mas tome cuidado também, você não me parece muito bem.
― Ahhhh... não se preocupe comigo. Já estou acostumado a andar sempre assim.
― De qualquer jeito, tome cuidado. Vamos tomar cuidado por aqui também.
O PEQUENO NÃO FALAVA NADA E A LUZ DO GRANDÃO CONTINUAVA A CHEGAR.
― Adeus, senhores.
― Adeus, Vladimir Bepe.
Como ele sabia meu nome eu realmente não sei, mas no momento a maior preocupação era chegar logo no bar. Continuei andando. Olhei para trás e não vi mais o casal. Não lembro de mais nada, acordei bêbado em algum lugar que eu não sei realmente onde era, mas isso nunca me incomodou...
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