sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Nada mais, Linda...

Conheci Linda num bar, gostava sempre de ir ali, as pessoas não incomodavam, e particularmente eu estava numa fase que quanto menos contato com outras pessoas melhor (estava assim há exatamente 50 anos), mas gostava de ir ali, bebia minha cerveja, o máximo contato que tinha com alguém era na hora de chamar o garçom e pedir outra cerveja, assim meu mundo era só contentamento! Mas aí a porta se abriu e entrou o ser mais maravilhoso que eu poderia ter contato nesse planeta. Abriu delicadamente a porta, mas a sua presença causava estrondo por todo o ambiente, veio com um sorriso gostoso, sem motivo qualquer, olhou todo o bar, sentou numa cadeira há uns 2 metros de mim, não demorou muito e chegou mais perto, parou na minha frente e ficou ali, parada, olhando, olhando, mas quem não conseguia parar de olhar nem por um segundo para ela era eu!

Ela estava ali olhando pra mim? OH DEUSES! Será que ela não estava vendo que tinha idade para ser o pai dela? Que em mim não existia mais beleza alguma, que o sedentarismo fazia parte do meu corpo, e a única coisa que me deixava cheio de vida era ir ali naquele bar e beber e beber? Não me aproximava de uma mulher há uns 4 5 anos, e de repente chega àquela maravilha derretendo todo e qualquer asco que eu possa ter de um contato maior com algum outro humano. Eu era escritor e escrevia sobre pessoas, mas apenas os decaídos, os malditos, os não aceitos, mesmo assim os odiava tanto quanto os do outro lado (eu fazia parte daqueles, é claro).

Ela só parava de olhar para dar um gole suculento na sua cerveja, mas logo seus olhos voltavam- se para os meus, se oferecendo, se entregando, só com o olhar! Linda era completamente espetacular. A beleza dela irradiava qualquer lugar, qualquer homem (ou mulher) ficava maravilhado com tanta perfeição, e o sorriso que mostrava a todos? sensacional! Parecia ter em torno de 25 anos...

— Oi, cara. Posso ficar aqui? ela perguntou com uma voz solta de quem tanto não era de ninguém como não queria sê-lo.

— Claro.

Conversamos sobre vários assuntos, coisas que conversaria com algum amigo (se o tivesse). No final da noite fomos para minha casa (não sei porquê apenas chegando lá ela falou que fumava e assim o fez), a casa não estava no seu pior estado, dava para fumar, beber e ter uma conversa agradável sem incômodos. Fumou, bebemos, conversamos e acabamos dormindo. Ao acordar transamos loucamente e ela comentou o fato de eu não ter tentado nada na noite anterior (parecia ter gostado disso). Saímos para comer alguma coisa, perguntei seu nome, idade, ...

— Ah... Não fode! ela disse docemente.

Aceitei.

Além da sua beleza extraordinária não consegui nenhuma informação sobre ela. O nome Linda (é bom virgulas cercando o nome dela ",Linda,") fui eu que "inventei", resolvi chama- la assim, melhor opção não deveria existir. Linda...

Deixei- a no mesmo bar em que nos conhecemos, mas ela não deixou o meu pensamento. A vi dois dias depois, no mesmo bar, sentou do meu lado e disse:

— Hoje não estou para conversa.

Não insisti. Ficamos pouco tempo lá, ela levantou e falou:

— Vamos?

De novo fomos para minha casa. Dessa vez ela tirou a roupa logo que chegou, transamos a noite inteira e logo que acordamos. OH DEUSES! Era beleza demais! Eu me contentaria em passar uma vida inteira sem sexo, apenas do lado dela.

Eu sempre me perguntava o que diabos ela via em mim. Nessa manhã ela me explicou que me achou um cara interessante só de me olhar e se sentia bem comigo. Não questionei.

Estava vendo a uma vez na semana, não mais que isso. O ponto de encontro era sempre o bar e sempre terminava na minha casa. Com o tempo fui conhecendo melhor Linda (a impressão do começo se confirmou), ela não queria laços, amarras, queria viver livre, achava que conseguia isso comigo, achava que era bom pros dois assim. Ela estava certa, eu queria absolutamente assim também!

As pessoas não esperavam nada dela além de ser linda, nada mais! As pessoas não esperavam nada de mim! A verdade é que nossas almas vestiam preto, dava certo assim...