Ele não tinha noção de como isso acontecia, só acontecia.
Começou quando tinha uns vinte e quatro anos. Hoje, com vinte e oito todas as quinta- feiras das meia-noite até uma, duas horas da madrugada se transformava numa borboleta, um pouco menor que sua mão humana, linda, colorida, não era nem questão de se conformar pois ainda não havia o feito, era talvez se acostumar mesmo.
Desde então nunca namorara sério, nunca bebera com os amigos numa noite de quinta, ia aos médicos e todos eles lhe diziam que nada de diferente havia em seu corpo.
Mais ninguém sabia.
Não atrapalhava o seu trabalho, como já foi dito, uma, duas horas por semana e tudo resolvido.
Por diversos dias acordou com seu rosto coberto de pólen, com cheiro de planta, com gosto de flor.
Um dia ele acordou...
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Queria fazer um CONTO!
Mas como começar? Sobre o quê? Que personagens? E se os outros achassem ruim?
A história começa exatamente em visitas há uma comunidade do orkut que já freqüentava há muito e onde achava os tópicos e pessoas extremamente interessantes. Um tópico exatamente o chamou atenção, de CONTOS, era mensal, era encantador, nunca participara, mas a idéia de fazer um conto para lá postar não saia de seu pensamento, o dia todo, o tempo todo...
Precisava de calma, de tempo, de paz, precisava reservar um dia, um final de semana talvez, queria que gostassem dos seus escritos. Na arte de escrever CONTOS nunca tinha tido contato, era iniciante, mas ia o fazer.
O mês estava acabando e Daniel queria mandar o texto para o concurso ainda nele, tinha cinco dias, mas no sábado tinha que trabalhar, lembrou-se que na segunda-feira teria jogo do Brasil, oitavas de final, perder e adeus ao mundial, onde ele não ia trabalhar, teria o domingo e a segunda, provavelmente dava tempo.
Dormiu cedo no sábado, acordou bem no domingo, banhou, comeu, sentou, tudo que precisava estava ali (um lápis, uma folha de papel, silêncio), levantou, pegou um copo d’água, resolveu ligar o som, música instrumental baixa, talvez o ajudasse, novamente sentou, segurou o lápis, o pressionou contra o papel branco, parecia ferir aquele papel, tão branco, tão puro e agora não mais, mas ficaria bem mais bonito com letras, palavras, palavras. Mas quais, sobre o quê? Essas perguntas sempre vivas, martelando (que droga!). Outras pessoas conseguiam, ele também o ia!
Resolveu desligar o som, antes bebeu toda a água do copo, levantou, desligou, pegou mais água, dessa vez uma garrafa, olhou a geladeira, tinha uvas, morangos (mofados?), pegou algumas uvas, colocou num pratinho, retornou a seu lugar. E agora? Era hora de começar!
O telefone tocou (meu deus!), foi atender, mas jurou a si mesmo que depois dali o tiraria da tomada e nada mais o atrapalharia, jurou.
― Alô
― Blá Blá Blá
― Blá Blá Blá
― Obrigado pelo convite, Ana, mas hoje não posso, tenho coisas muito importantes a terminar. Posso te ligar de noite? Ou amanhã no jogo?
― Blá Blá Blá
― Blá Blá Blá
Tirou o telefone da tomada, Ana era um encanto, mas o conto precisava ser terminado, necessitava!
Comeu três ou quatro uvas, pegou o lápis e o levou de encontro ao papel (de novo). Que tal falar sobre alguma viagem sua? Tédio! Criar uma história absurda, fantasiosa? Conseguiria? Cotidiano, fatos habituais? Tédio! Nada o encantava, na verdade, nada ele achava que encantaria os outros, isso sim!
A campainha tocou (meu deus!), não ia atender. Quem será? Sua mãe querendo lhe encher de mimos e cuidados? Pedro que quando acordava cedo num final de semana precisava sempre de sua companhia para beber? De qualquer jeito, não ia abrir! Deixou tocar e tocar e tocar, aquilo tinha que parar. Parou, até que enfim!
Pegou o lápis e o levou ao papel, milésima vez.
QUERIA fazer um conto...
Mas como começar? Sobre o quê? Que personagens? E se os outros achassem ruim?
A história começa exatamente em visitas há uma comunidade do orkut que já freqüentava há muito e onde achava os tópicos e pessoas extremamente interessantes. Um tópico exatamente o chamou atenção, de CONTOS, era mensal, era encantador, nunca participara, mas a idéia de fazer um conto para lá postar não saia de seu pensamento, o dia todo, o tempo todo...
Precisava de calma, de tempo, de paz, precisava reservar um dia, um final de semana talvez, queria que gostassem dos seus escritos. Na arte de escrever CONTOS nunca tinha tido contato, era iniciante, mas ia o fazer.
O mês estava acabando e Daniel queria mandar o texto para o concurso ainda nele, tinha cinco dias, mas no sábado tinha que trabalhar, lembrou-se que na segunda-feira teria jogo do Brasil, oitavas de final, perder e adeus ao mundial, onde ele não ia trabalhar, teria o domingo e a segunda, provavelmente dava tempo.
Dormiu cedo no sábado, acordou bem no domingo, banhou, comeu, sentou, tudo que precisava estava ali (um lápis, uma folha de papel, silêncio), levantou, pegou um copo d’água, resolveu ligar o som, música instrumental baixa, talvez o ajudasse, novamente sentou, segurou o lápis, o pressionou contra o papel branco, parecia ferir aquele papel, tão branco, tão puro e agora não mais, mas ficaria bem mais bonito com letras, palavras, palavras. Mas quais, sobre o quê? Essas perguntas sempre vivas, martelando (que droga!). Outras pessoas conseguiam, ele também o ia!
Resolveu desligar o som, antes bebeu toda a água do copo, levantou, desligou, pegou mais água, dessa vez uma garrafa, olhou a geladeira, tinha uvas, morangos (mofados?), pegou algumas uvas, colocou num pratinho, retornou a seu lugar. E agora? Era hora de começar!
O telefone tocou (meu deus!), foi atender, mas jurou a si mesmo que depois dali o tiraria da tomada e nada mais o atrapalharia, jurou.
― Alô
― Blá Blá Blá
― Blá Blá Blá
― Obrigado pelo convite, Ana, mas hoje não posso, tenho coisas muito importantes a terminar. Posso te ligar de noite? Ou amanhã no jogo?
― Blá Blá Blá
― Blá Blá Blá
Tirou o telefone da tomada, Ana era um encanto, mas o conto precisava ser terminado, necessitava!
Comeu três ou quatro uvas, pegou o lápis e o levou de encontro ao papel (de novo). Que tal falar sobre alguma viagem sua? Tédio! Criar uma história absurda, fantasiosa? Conseguiria? Cotidiano, fatos habituais? Tédio! Nada o encantava, na verdade, nada ele achava que encantaria os outros, isso sim!
A campainha tocou (meu deus!), não ia atender. Quem será? Sua mãe querendo lhe encher de mimos e cuidados? Pedro que quando acordava cedo num final de semana precisava sempre de sua companhia para beber? De qualquer jeito, não ia abrir! Deixou tocar e tocar e tocar, aquilo tinha que parar. Parou, até que enfim!
Pegou o lápis e o levou ao papel, milésima vez.
QUERIA fazer um conto...
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Tentou abrir (lentamente) os olhos. Viu no relógio que já eram 6 da tarde, continuou na cama, mudando apenas a posição para o sol deixar de tomar um pouco sua visão. Seu corpo exalava álcool, o estômago mesmo embrulhado pedia comida e o vício do cigarro batia, mexia, queria ser alimentado, o último pedia urgência a ser resolvido, estendeu a mão, depois de muita luta e uma necessidade maior que ele de não mexer nada do seu corpo além do braço, achou uma carteira de cigarros, vazia! Um TERROR! Seu corpo precisava de cigarros, esse problema teria que ser resolvido... infelizmente! Sentou, muitas partes de seu corpo não o obedeciam, os olhos eram os piores, insistiam em ficar constantemente fechados, mas ele tinha que se levantar, era uma questão vital. Levantou, lavou o rosto, nada mais, tateou a mesinha procurando a chave de seu carro, achou, abriu a porta de seu apartamento, desceu as escadas levado somente pela precisão do cigarro, entrou no carro, ligou, pretendia rodar dois, três móveis lindeiros no máximo, não foi o suficiente. Teria que des truir seus planos, mas o trânsito não lhe parecia muito agradável (ainda iria morar numa cidade melhor, com trânsito melhor e mais lugares vendendo cigarros). Parou o carro no primeiro lugar que viu, desceu, alguns poucos passos e sua longa e viva esperança multiplicada ao vício lhe dizia que os cigarros seriam encontrados naquele estabelecimento, andou, andou (o estômago se retorcia em intensas ondas), andou, entrou, cigarros? cigarros? nada! Saiu, andou, andou... Parou para pensar como havia chegado em casa, por onde andou ontem, o que usou, que dia era hoje, comer melhoraria seu estado? para nenhuma das perguntas tinha resposta. Andou, andou, completamente alheio a esse mundo, quando se deu conta estava com a cara no chão, havia tropeçado em algo, alguém? Um homem sentado no chão, maltrapilho, magro, minúsculo... ELE havia o derrubado? A coisa não andava bem, então! Do chão ainda, fitou os olhos daquele homem coisa, nome? Ele não respondeu, mas seus olhos diziam algo, aqueles olhos bradavam, berravam, chamavam, gritavam! Mas exatamente o que? Se ele falasse facilitaria muito a vida de Eduardo, sua vida já andava muito atribulada e ficar ali sentado tentando decifrar o que aqueles olhos queriam dizer não parecia muito são. Uma palavra era pedir demais? Talvez ele não quisesse mesmo dizer alguma coisa, só queria ficar ali, sentado, parado, com seus grandes olhos gritando e hipnotizando Eduardo. Como? Os cigarros, cadê? Cadê? O que esse pequeno homem significa, o que ele quer dizer? Que os homens são seres sozinhos? Que um pouco de água aqui e ali é o único que precisamos? Que ali abandonado, abandonando, ele conseguia ser mais completo que Eduardo? Os cigarros, cadê? Depois de todas essas especulações, Eduardo chegou a conclu-são que esse homem sem nome tinha lhe ensinado alguma coisa, ele só não sabia o que! Abriu a carteira, tirou uma nota de 50 reais. Uma troca justa? 50 reais por todos aqueles questionamentos, ensinamentos que Eduardo não sabia organizar, desvendar, TALVEZ SIM! Colocou ali a nota, próximo ao homem. Olhou com seus olhos que eram os piores e insistiam em ficar constantemente fechados, olhou para os olhos do homem, mas não houve mudanças, eles continuavam gritando, berrando, chamando...
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