Queria fazer um CONTO!
Mas como começar? Sobre o quê? Que personagens? E se os outros achassem ruim?
A história começa exatamente em visitas há uma comunidade do orkut que já freqüentava há muito e onde achava os tópicos e pessoas extremamente interessantes. Um tópico exatamente o chamou atenção, de CONTOS, era mensal, era encantador, nunca participara, mas a idéia de fazer um conto para lá postar não saia de seu pensamento, o dia todo, o tempo todo...
Precisava de calma, de tempo, de paz, precisava reservar um dia, um final de semana talvez, queria que gostassem dos seus escritos. Na arte de escrever CONTOS nunca tinha tido contato, era iniciante, mas ia o fazer.
O mês estava acabando e Daniel queria mandar o texto para o concurso ainda nele, tinha cinco dias, mas no sábado tinha que trabalhar, lembrou-se que na segunda-feira teria jogo do Brasil, oitavas de final, perder e adeus ao mundial, onde ele não ia trabalhar, teria o domingo e a segunda, provavelmente dava tempo.
Dormiu cedo no sábado, acordou bem no domingo, banhou, comeu, sentou, tudo que precisava estava ali (um lápis, uma folha de papel, silêncio), levantou, pegou um copo d’água, resolveu ligar o som, música instrumental baixa, talvez o ajudasse, novamente sentou, segurou o lápis, o pressionou contra o papel branco, parecia ferir aquele papel, tão branco, tão puro e agora não mais, mas ficaria bem mais bonito com letras, palavras, palavras. Mas quais, sobre o quê? Essas perguntas sempre vivas, martelando (que droga!). Outras pessoas conseguiam, ele também o ia!
Resolveu desligar o som, antes bebeu toda a água do copo, levantou, desligou, pegou mais água, dessa vez uma garrafa, olhou a geladeira, tinha uvas, morangos (mofados?), pegou algumas uvas, colocou num pratinho, retornou a seu lugar. E agora? Era hora de começar!
O telefone tocou (meu deus!), foi atender, mas jurou a si mesmo que depois dali o tiraria da tomada e nada mais o atrapalharia, jurou.
― Alô
― Blá Blá Blá
― Blá Blá Blá
― Obrigado pelo convite, Ana, mas hoje não posso, tenho coisas muito importantes a terminar. Posso te ligar de noite? Ou amanhã no jogo?
― Blá Blá Blá
― Blá Blá Blá
Tirou o telefone da tomada, Ana era um encanto, mas o conto precisava ser terminado, necessitava!
Comeu três ou quatro uvas, pegou o lápis e o levou de encontro ao papel (de novo). Que tal falar sobre alguma viagem sua? Tédio! Criar uma história absurda, fantasiosa? Conseguiria? Cotidiano, fatos habituais? Tédio! Nada o encantava, na verdade, nada ele achava que encantaria os outros, isso sim!
A campainha tocou (meu deus!), não ia atender. Quem será? Sua mãe querendo lhe encher de mimos e cuidados? Pedro que quando acordava cedo num final de semana precisava sempre de sua companhia para beber? De qualquer jeito, não ia abrir! Deixou tocar e tocar e tocar, aquilo tinha que parar. Parou, até que enfim!
Pegou o lápis e o levou ao papel, milésima vez.
QUERIA fazer um conto...
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