― O amor não existe, Vladimir? É ridículo você afirmar isto...
― O amor realmente não existe, Daniel, e existe algo sublime que o substitui! Ahhhh, a paixão, um sentimento tão intenso, uma perturbação, uma desordem completa, um afeto violento, uma coisa ardente, tudo vivo...
― Você tá falando do amor ou da paixão?
― Da paixão, seu idiota! O amor é a mesma coisa, só que vai morrendo, vai definhando, sempre acontece assim. A paixão não, ela some antes de morrer e aí vem outra e você se apaixona de novo e de novo e de novo. Como a paixão é melhor, Daniel. E o amor não existe. É tudo ilusão. É ridículo pensar que o amor é o sentimento mais bonito, e quando falo assim, estou falando sobre o sentimento de homem e mulher, marido e esposa, tudo é mentira, sempre existe algum interesse por trás, sempre algum dos dois quer alguma coisa. Na paixão não há prisão, é o que há de mais verdadeiro, é liberdade, é curtir o momento. Todos deveriam saber disso. Acreditar em alguma coisa que não existe e ter isso apenas pra depois “quebrar a cara” é derradeiro, é o fim.
― Eu não vou discutir contigo. Sei que não vou conseguir mudar seu pensamento. Então, é melhor pararmos. Você continua aí acreditando na não existência do amor e eu aqui com o que acredito. Agora vou indo, já está tarde e já bebemos demais por hoje.
Daniel sabia da verdade, mas sabia também que não adiantava falar nada para Vladimir, ele estava muito amargurado, havia passado por uma grande dor da qual ainda não havia se recuperado. Dan sabia que o amor existia SIM, mas só daria certo com a pessoa certa, com a pessoa especial, de outra maneira só causaria tristezas, mentiras, dores, arrependimentos e logo morreria. Era o que havia acontecido com Vladimir, acreditou, se entregou, confiou na pessoa errada e aí “quebrou a cara”, desde que isto aconteceu vive por aí cuspindo amarguras. No final a culpa nem sua era, mas não adiantava falar...
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