Tinha consulta marcada. As coisas não andavam bem ultimamente, e quando digo as coisas, quero dizer minha saúde. Mas nada que um apoio familiar não resolvesse! Ou não...
Sim, voltando... Tinha consulta marcada, 17:30, saí do trabalho mais cedo e fui direto ao hospital; 4 dos pacientes dele já haviam chegado. Eram todos idosos e aquilo me incomodava de uma forma incrível. Eu, 46 anos, na flor da idade, ok, certo certo, não tão na flor da idade assim, mas ainda tenho tanta coisa para viver.
― Mas você ainda vai viver, pai!
Repetia minha filha mais velha inúmeras vezes. Falando nela, ela prometeu me acompanhar na consulta e só deus sabe o quanto aquilo me fortalecia. Ela ainda não havia chegado e só me restava esperar.
Fiquei ali, passando os olhos nuns papéis que falavam sobre o meu problema. Ultimamente não me lembro de estar lendo outra coisa, além disso.
Estava no 5º andar, o hospital era tão bem equipado, enorme. Arisco dizer, o melhor do estado.
Tinha que pegar o resultado duns exames no 1º andar. Karol poderia fazer isso, mas estava demorando e só havia 2 pessoas na minha frente. Resolvi ir sozinho. A falta de equilíbrio me obrigava a andar de elevador sempre, não achava ruim. Quem diria, logo eu. Até que não demorou muito lá, 5 minutos e lá estava eu, com os exames na mão, os tão temidos resultados indicadores duma notícia ou brilhante demais ou aterrorizadora, o que estava me deixando infinitamente ancioso. Abrir ou não abrir? Eu não entenderia muita coisa, é certo. Mas daria para ter noção de alguma coisa do meu atual estado, é certo também. 2 pessoas. Resolvi não abrir.
Peguei o elevador, 5º andar aí vou eu.
Saí.
De repente minha cabeça começou a doer absurdamente forte. O que era aquilo, meu deus? O coração batendo a mil, o corpo sem força, as pernas desfalecendo,...
Me trouxeram água, perguntas sobre o que eu estava sentindo, barulho, muito barulho.
O que estava acontecendo, meu deus?
Minha vista embaçada. Com muita dificuldade, consegui ver que estava no andar errado, o dos apartamentos. Olhei mais à frente, alguma força levava o meu olhar naquela direção. Apartamento Vênus, numa placa bem grande.
Ali minha mãe havia morrido!
Caí...
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário