― Comecei a usar drogas pra esquecer dos problemas, fugi de casa, meu pai ficava bêbado e me batia muito. Eu queria sair dessa vida. Meu sonho? Estudar, ter uma casa, uma família, que não existisse drogas, nem fome e nem polícia.
Aquele moleque sobrevivia na correria, como vive a maioria. Sair um dia das ruas é a meta principal, viver decente. Tem um instinto que a liberdade deu, tem a malícia que cada esquina deu. Conhece puta, traficante, ladrão, toda raça. Confia neles, mais que na polícia.
A noite chega e o frio também, sem demora a pedra chega, o consumo aumenta a cada hora, pra aquecer, pra esquecer, viciar. Pra sonhar, viajar, na paranóia, na escuridão, um poço fundo.
Um dia ele viu a malandragem com o bolso cheio, gastando dinheiro, risadas, mulheres. A impressão que dá é que ninguém pode parar.
― Como ganha o dinheiro?
― Vendendo pedra e pó!
Tudo a custa de alguém...
Polícia passou.
Fez seu papel, dinheiro na mão, corrupção, até a próxima.
VOCÊ CONHECE ALGUÉM?
Moleque novo, já viveu muito mais do que muito homem por aí.
Ninguém liga pra moleque, dentro do seu Corolla.
Dizem que quem quer segue o caminho certo, TÁ ERRADO! Ele se espelha em quem está mais perto.
Será que ele terá uma chance?
Quem entra pra voltar... HÁHÁ!
― Quer dinheiro?
― Vá vender. Tem um monte aí...
― Tem dinheiro? Quer usar?
― Tem um monte aí...
Tudo que tem vira fumaça. TEM?
AOS 25 NÃO CONSEGUIU CHEGAR!
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